BLOG DE ESQUERDA

POLÍTICA, CULTURA, IDEIAS, OPINIÕES, MANIFESTOS E ETC. (envie os seus contributos, dúvidas e sugestões para o blog_de_esquerda@hotmail.com)Este blog é mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?
19.10.03
 
POEMA. Queria postar aqui, à laia de preparação para esta noite, um poema do José Tolentino Mendonça que se intitula, precisamente, «Concerto dos Tindersticks». Só que o livro («Baldios», Assírio & Alvim) deve estar algures numa das camadas geológicas da minha caótica biblioteca. Não tenho tempo para o procurar. Fica a intenção.

 
DIA FORA. Hoje não estamos cá. Estamos no Porto. Programa: auto-estrada A1, francesinha, Serralves e, à noite, concerto dos Tindersticks. Até já.

18.10.03
 
CINZA E TANGERINA. Às vezes, somos apenas humanos. E passamos horas na Cofersan, em Alverca, a escolher azulejos pela dimensão (10x10 ou 15x15?) e pelas cores que melhor combinam numa futura casa-de-banho.

 
TERÇO HUMANO. Visto assim de relance, na televisão de um restaurante chinês, pareceu-me uma variação do logótipo para o Euro2004, só que mais beato.

 
PROMESSA QUEBRADA. O Governo não cumpriu o prometido. Os Mini-Concursos terminaram na teoria, mas na prática prolongam-se até agora. O que mais me surpreende é que ninguém na chamada blogoesfera comenta o caso. Ninguém fala disso. Nem mesmo a televisão e a imprensa.
Eu, como professor que sou, sinto-me humilhado. Não entendo a razão de procurar no professor o "bode-expiatório" de todos os males. Não entendo a razão pela qual o DGAE não fornece os horários a tempo e horas, nem a razão pela qual alguns dos números de telefone referidos não existem.
Tudo é uma vergonha. E ninguém faz nada. Nem mesmo os sindicatos. Verifiquem aquilo que digo. Verão que este é o maior escândalo do momento. O único. Muito maior que todos os anteriores.
(Manuel Abrantes Domingos)

 
MONTALBÁN. Oiço que morreste. E a tua morte deixa-me assim: num estado nem sequer de surpresa, mas de estupor. Morreste em Banguecoque (no aeroporto, perto desses outros pássaros, de metal). Procuro, na biblioteca desarrumada, um livro que em tempos me comoveu: «O Pianista». Tento imaginar os livros que escreverias na tua velhice, os copos que beberias com Pepe Carvalho, as futuras crónicas sobre a glória regressada do Barça. Tento imaginar muitas coisas, ao olhar o teu rosto numa fotografia antiga. Mas não consigo.

17.10.03
 
INIMIGO PÚBLICO. Todas as sextas-feiras, pela manhã, suspiro de alívio. Ainda não foi desta que acabaram com a minha dose semanal de gargalhadas.

 
PAPA (4). Mais elogios a João Paulo II na imprensa. Ia escrevendo "elogios póstumos". É, de facto, o que parecem.

 
CARTA. De uma leitora que se identifica apenas como Cecília, recebemos a seguinte carta:

«Caro J. M. Silva,
No seu post de 9.10.2003, a propósito da libertação de Paulo Pedroso, diz: "A libertação do homem, repito, e não do político". Acha mesmo que é o homem que está em causa? Se o Paulo Pedroso fosse doutro partido estaria nesta situação? A certa altura do campeonato não puseram a hipótese do Ferro Rodrigues também ser preso? Um PS completamente de rastos não torna tudo mais fácil? Quantos anos seriam precisos para que voltasse a ter algum crédito? Estas são interrogações que eu faço a mim mesma. Sou uma ilustre desconhecida, completamente arredada de qualquer actividade partidária embora continue a militar ideologicamente à esquerda.»

Cara Cecília,
Compreendo e respeito as suas interrogações/inquietações. Partilho, de resto, algumas delas. Acontece que o problema deste caso gravíssimo (tão grave que me tenho abstido de comentar; há nele uma volatilidade que me assusta e/ou repugna), o problema deste caso é que as dúvidas continuam a acumular-se, umas atrás das outras, e não existe saída à vista para tamanho pesadelo, para tamanho inferno.

 
FA(C)TOS CINZENTOS. Com fato cinzento, gravata de seda e tom de crepúsculo, António Costa recomendou silêncio sobre o caso da revista Le Point e o comportamento do Ministério Público; e disse que o combate da justiça é o combate do seu partido. Como vão longe os tempos da cabala!
Segundo Fernando Madrinha, a ideia de que o processo da Casa Pia vai ficar em “águas de bacalhau” começa a grassar na opinião pública. Se eu também sou opinião pública, confirmo!
Mas graças à revista «Time», Bragança e Portugal entraram no roteiro medieval da Europa. Um mimo!
(JCampos)

16.10.03
 
PAPA (3). Na televisão, vejo imagens do Papa. Cabeça inclinada, corpo em falência técnica, baba a cair sobre os paramentos. Alguém me sabe explicar que "dignidade" é esta?

 
PAPA (2). Um dos mitos mais curiosos em torno de João Paulo II tem a ver com o seu suposto "papel central" na derrocada dos regimes de Leste. Mas alguém pode apresentar provas concretas desse contributo? Além de ser eslavo e anti-comunista, o que fez Karol Wojtyla? Foi um farol, um baluarte, uma referência moral para os povos oprimidos? Poupem-me. A derrocada dos regimes teve responsáveis, sim, mas os seus nomes foram outros: de Stalin, Brejnev e Andropov a Ceausescu, Jaruzelski e Honecker; não esquecendo, claro está, o empurrãozinho final de Gorbachev.

 
PAPA (1). Era de esperar. Com o pretexto da celebração dos 25 anos de pontificado de João Paulo II, os jornais enchem-se de discursos laudatórios da figura papal. Não vou discutir os aspectos especificamente religiosos da acção de Karol Wojtyla, porque não li as suas encíclicas e desconheço os meandros do seu pensamento teológico, mas elevá-lo a figura maior da História do séc. XX parece-me um franco exagero. Se é verdade que o Papa fez um esforço de reconciliação com as outras religiões e assumiu crimes cometidos em nome de Deus noutros séculos, a sua doutrina em termos morais (nomeadamente em relação ao problema da SIDA, à homossexualidade, à contracepção, ao aborto e ao papel das mulheres na Igreja) foi de um conservadorismo levado ao extremo. Objectivamente, João Paulo II está entre os Papas mais reaccionários de que há memória. A sua longa liderança pode ter sido positiva para o Vaticano e para a evangelização católica no mundo, nomeadamente em África e na Ásia (nunca antes um Sumo Pontífice viajara tanto), mas a verdade é que não abriu a Igreja às novas realidade contemporâneas, antes a fechou a sete chaves − sabe-se lá por quanto tempo.
Não alimentemos ilusões: uma Igreja retrógrada e autista é o principal legado deste Papa. E é por isso que os comentadores do costume lhe cantam hossanas.

 
DIA DO JUÍZO FINAL. Tenho à minha frente, empilhados, 88 volumes. Oitenta e oito livros de poesia. Um deles será o vencedor de um concurso literário de que sou jurado. Tiro notas, releio passagens, desfaço dúvidas, comparo, ponho pesos na balança. Hesito muito. Sofro. Volto a hesitar. Tiro mais notas. A decisão, aos poucos, faz o seu caminho. Tem mesmo que fazer, aliás, porque a reunião final é hoje à tarde. Como diz o outro: até lá não esperem nada de mim. Há coisas mais urgentes (e delicadas) do que escrever num blogue.

 
LUÍS E O LOBO. Hoje, no DN, Luís Delgado prevê novamente, para o final do ano, a retoma económica que nunca mais chega. É uma história antiga: um dia ela acontece mesmo e ninguém acredita.

15.10.03
 
UM ANO É MUITO TEMPO (NA BLOGOSFERA). Há precisamente 365 dias, o Pedro Mexia, o Pedro Lomba e o João Pereira Coutinho criaram a Coluna Infame. Era um blogue castanho, irritantemente sóbrio e ainda mais irritantemente bem escrito, reaça e irónico, trocista e polémico, divertido e bombástico - uma inspiração para a direita e uma eterna fonte de diatribes para a esquerda. Sem a Coluna Infame, a blogosfera portuguesa não seria o que é hoje. Eles podem não ter sido os pioneiros do fenómeno, mas foram sem dúvida os fundadores de qualquer coisa nova. Atrás deles ou contra eles, veio tudo o resto. Nós, por exemplo.
Um ano depois (e apesar do amargo final da história), eu, leitor desde o primeiro dia, desde a primeira hora, desde o primeiro post, daqui envio, para a infame coluna, as minhas nostálgicas saudações.

 
MEN IN BLACK. Eles andam aí. Vestem-se de negro. Bebem cerveja. Cantam canções obscenas. Exibem insígnias. Praxam. E não têm (provavelmente nunca terão) o sentido do ridículo.

 
DEPOIS DE LER O «CITROËN». Quando um livro se aproxima, quase decidido a seduzir-me, aparecendo-me inesperadamente, sou incapaz de lhe resistir. Foi assim com o «Vento Assobiando nas Gruas», que pousou lá por casa no Natal, com etiqueta alheia; foi assim no final do verão. Minutos antes de batermos a porta a caminho do aeroporto, passei os olhos pela estante. Cheguei a puxar as «Histórias de Ver e Andar» (talvez ainda esteja lá, desalinhada, a lombada). Desisti dele, lembrei-me dos outros volumes na bagagem. Não podia saber que os contos de Teolinda Gersão esperavam por mim, noutra casa, noutra cidade. Impossível não ler um livro que, tantos quilómetros depois, se oferece ainda, presença silenciosa, persistente. Foi por lá que li as histórias, que gostei mais de umas do que de outras, que suspendi a respiração antes de muitos finais.
Com o «Citroën» foi diferente. Quando mo estendeste, peguei-lhe sem convicção, pronta a comparar. Gostei do primeiro conto, do segundo, do terceiro, do quarto e de todos os outros. Não sei se consigo chamar ingénua àquela escrita, mas sim, há ali fluência. E pelo que é fluente, passam muito bem os olhos. Digo eu, mera leitora. Pareceu-me, acima de tudo, um livro constante, sem altos e baixos, sem contos melhores nem piores, todos mais ou menos equivalentes.
Se julgasse, não retirava o prémio às «Histórias de Ver e Andar». No entanto, as novelas mexicanas do Citroën foram uma agradável surpresa. A verdade é que, quando lhe peguei, não esperava nada de especial dele. Mas também me deixo seduzir por estes livros que me querem vencer, página a página, a resistência inicial.
(Margarida Ferra)

 
PRÉMIOS LITERÁRIOS (UMA RESPOSTA). Dele, talvez esperasse um bocadinho, mas nada de especial. Reformulo: "eu não esperava nada de especial dele" (que é diferente de "eu não esperava dele nada de especial"). Já me haviam dito qualquer coisa, mas nunca me entusiasmei o suficiente para seguir o link. Não tinha, por outro lado, razões para esperar que me irritasse. Acontece que, logo na primeira visita, tive o azar de me deparar com este poste do Joel Neto.

Perante os dois últimos parágrafos, pensei cinco coisas (a ordem é aleatória):

1. É fantástico como conseguiu referir, directa ou indirectamente, quatro livros (o da Teolinda Gersão, o da Lídia Jorge, o da MVC e o da Inês Pedrosa), assumindo que não leu dois deles (TG e IP) e omitindo qualquer opinão fundamentada sobre os outros dois (fiquei sem saber se os tinha lido).

2. É muito interessante a forma como fala do seu próprio livro, tendo em conta que no mesmo texto deita abaixo outros sem grandes fundamentos. Soou-me mal, pouco delicado. Ou será ingenuidade fluente?

3. Joel Neto podia resolver a sua frustração se apostasse no seu próprio nome para este ano. É homem e os seus palpites são resultado certo.

4. Mal posso esperar para ler a produção mexicana do Citroën. É que, como li o livro da Teolinda, o da Lídia Jorge e o da Inês, estou, certamente, em melhor posição do que ele para comparar. A minha opinião vale o que vale, mas acho que tenho informação suficiente para a fazer parecer esclarecida.

5. Um dos problemas das mulheres é precisamente a descriminação - a positiva, como a negativa. Tal como nas situações em que são criticadas, acontece, quando são bem sucedidas, pairar a dúvida sobre o peso do género.
(Margarida Ferra)

 
ESTREIA. Eu já conhecia a Bella Itália. Agora posso dizer que também conheço a bela itálica.

 
BRAGANÇA SEM FRONTEIRAS. Depois das notícias publicadas na imprensa internacional (vide «Le Point» e «Time» europeia), com direito a destaques de capa e tudo, acho que Portugal está prestes a descobrir mais uma especificidade económica, quiçá um cluster à la Michael Porter: a exportação de escândalos.

 
ADENDA AUTOMOBILÍSTICA. O Mário Filipe Pires acrescenta mais nomes à lista de campeões que Michael Schumacher nunca conseguirá igualar: «Não se esqueça de Jackie Stewart, que tinha a classe de Fangio e de poucos outros. François Cevert morreu demasiado cedo, seria também um multi-campeão.» Não duvido. E só tenho pena de não ter visto correr nem um nem outro.

14.10.03
 
AVATARES. Há poucos blogues que conseguem ser sempre, mas sempre, muito bons. Este é um deles.

 
COISAS QUE ACABAM. Por todo o lado, vejo projectos interessantes que chegam tristemente ao fim (ou que vivem sob eternas ameaças). São programas de rádio, sites da internet, ideias à margem. No fundo, coisas que escapam à norma, ao gosto comum, ao «mainstream» mediático. Havemos todos de lamentar esta sangria, claro, mas só quando for demasiado tarde.

 
A RAIVA. É uma constatação. Na rua, cruzo-me cada vez mais com pessoas que gritam. As vozes ganham estridência, as palavras parecem de fogo, há no ar qualquer coisa que se parte. De onde vem e para onde vai tanta raiva?

 
LES FILMS FRANÇAIS. Até 19 de Outubro, há muito cinema francês para ver em Lisboa, Porto e Coimbra. A programação da Festa está aqui. Não percam.

 
A CURA. Ontem dormi, dormi, dormi. Também tive febre (uma pontita), dores nos braços e nas pernas, um peso enorme na cabeça, etc. O tratamento foi o básico: chá, vitaminas, comprimidos efervescentes. E mais uma manta sobre a cama. (E incontáveis outros mimos). Sem olhar para o relógio, aproveitei. Dormi, dormi, dormi. Às vezes, o nosso mal é mesmo esse. Sono.

13.10.03
 
ATESTADO MÉDICO. Hoje este blogue está fechado em casa, de molho. Motivo: gripe. Amanhã voltamos.



Site Meter