BLOG DE ESQUERDA

POLÍTICA, CULTURA, IDEIAS, OPINIÕES, MANIFESTOS E ETC. (envie os seus contributos, dúvidas e sugestões para o blog_de_esquerda@hotmail.com)Este blog é mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva.

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5.10.03
 
VERDE-ALFACE. Todos os dias (mas especialmente hoje) é recomendável visitar o mais visceralmente republicano de todos os blogues portugueses: este. O seu autor escreve com a elegância de um Flaubert, o desencanto de um Beckett, a profundidade de um Thomas Mann, o engenho de um Georges Perec. Visitem todos os dias aquele paraíso verde-alface, é o que vos sugiro. Garanto que só faz bem.

 
LITERATURA & MAIS LITERATURA. Primeiro ponto: J. M. Coetzee ganhou − e muitíssimo bem − o Prémio Nobel; a ver se para o ano é a vez do Philip Roth ou do Pascal Quignard. Ponto dois: continuam as polémicas ásperas − e mais ou menos inúteis − em torno da novíssima poesia portuguesa (depois de incensar Manuel de Freitas, ainda há uma semana, Eduardo Prado Coelho borrou a pintura no último Mil Folhas, atacando precisamente Manuel de Freitas e a corrente que Jorge Reis-Sá apelida de «franciscana», num artigo muito dúbio que o Luís da Natureza do Mal analisou com sageza e precisão aqui). Façam o favor de ler ambos: o Coetzee e o Luís.

 
O QUE ME APETECE FAZER HOJE. Sim, isso mesmo: sair à rua e gritar vivas à República. Sim, como se tivesse sido há dois anos, há dez, há 29. Sim, por uma questão de higiene cultural, cívica, política. Sim, porque é terrível como a memória ganha pó.

 
NEM MAIS NEM MENOS. Num boletim de voto que mais se assemelha a uma sopa de letras, os eleitores californianos terão de escolher uma opção entre as 133 que se apresentam a escrutínio no referendo/eleição («recall») de 7 de Outubro próximo: 133 candidatos ao cargo de governador. Destes, entres os quais se contam o Ben-Hur Schwarzenegger, a actriz porno Mary Carey e o actual governador, Gray Davis, conhecem-se minimamente uma meia dúzia de outros rostos. Será que isto também é democracia participativa? (Tiago Barbosa Ribeiro)


 
A REPÚBLICA. Em 5 de Outubro de 1910, triunfou a República. Do liberalismo monárquico, uma das heranças de maior valor moral foi a abolição da pena de morte em Portugal. Não podemos, pois, deixar de agradecer às elites liberais-monárquicas do século XIX uma iniciativa de tão grande alcance moral, ético e civilizacional. Numa altura em que a actual direita portuguesa alinha com George W. Bush, um dos mais fervorosos defensores e praticantes da pena de morte, é animador recordar a abolição da pena de morte no Portugal oitocentista.
A monarquia portuguesa, ao impor a ditadura de João Franco, assinou o seu fim definitivo. A I República rejeitou o voto censitário, mas excluiu os analfabetos do direito de voto. O direito de voto das mulheres também foi esquecido. À queda da I República sobreviveram a bandeira, o escudo, a nossa última moeda, o hino nacional, a separação jurídica entre o Estado e a Igreja. Salazar, que era monárquico, nunca ousou tentar restaurar a monarquia. O seu sonho era ser primeiro-ministro de um rei absoluto. Admirava Mussolini que impôs o fascismo numa monarquia.
O espírito da I República, herdeiro, parcialmente, dos liberais monárquicos de 1820, que realizaram eleições, através do voto universal, só seria restabelecido depois da revolução de 25 de Abril de 1974, que a direita portuguesa classifica, com desprezo, de 25 A, que a obriga a governar enfrentando “as forças de bloqueio” impostas pela democracia. Hoje, o grande problema é convencer os eleitores através dos meios de comunicação social – é aí que reside o fulcro das vitórias eleitorais. A questão monárquica está encerrada. A ditadura de João Franco aniquilou teoricamente a monarquia portuguesa – fez esquecer os monárquicos que lutaram contra o absolutismo, como Manuel Fernandes Tomás e depois D. Pedro IV.
O grande problema de hoje é associar à democracia política, a democracia económica e a democracia social. É não sentir opressão no dia-a-dia, no local de trabalho.
(José da Silva)

4.10.03
 
MATEUS (2). À volta da mesa, o poeta Israël Eliraz (um israelita que já escreveu romances, peças de teatro e óperas, mas que nas duas últimas décadas se dedicou exclusivamente à poesia) e nós. Nós, os portugueses. Nós, os traditori. Em conjunto, sob o olhar atento do autor, partimos da versão francesa (muito corrigida) do livro Hölderlin e fomos transformando os poemas hebraicos em poemas portugueses. A figura de um Hölderlin terminal, louco e fazendo cadeiras como quem burila versos, cresceu das páginas. Não sei se será tão verdadeiro quanto aquele que Eliraz imaginou. Mas há nele uma verdade qualquer que a nossa traição nunca poderia apagar.

 
VERSOS QUE NOS SALVAM. Do poeta Israël Eliraz, ainda inédito em português, transcrevo agora dois dos 50 poemas de Hölderlin, vertidos para a nossa língua, nos Encontros de Tradução da Casa de Mateus, por Teresa Tudela, Pedro Tamen, Fernando Guimarães, Pedro Mexia e este vosso humilde escriba.



29


o que treme em mim:
o medo de uma alegria que é apenas
alegria, um erro, uma vertigem.

Liberto-me de mim mesmo, apago-me,
coso as botas.

Passa alguém e um nada pousa
sobre o seu rosto. Contemplo
o seu rígido perfil,

Deus chamou-o a si
há anos.

Não seria eu?

Como envelheci desde então.
Concha vazia, síncope, tanto faz

H



40


um pássaro naufraga no voo
vertical do pássaro

apenas mostra
o seu gesto
direito ao vazio.

Existe aqui um sofrimento a explicar
mas não há ninguém que explique.

Tudo é nada e mesmo isso é de mais.

Diante dos seus olhos forma-se um esboço
de uma felicidade que logo se apaga.

Não procures o pássaro obscuro
pelo seu grito

o que se passa à tua frente
ainda não aconteceu


 
ENTRE CÃO E LOBO. Este tempo "entre chien et loup" abre caminho a todos os enganos; a noite está mais fria do que se espera, o dia aquece mais do que se anuncia e assim se cometem erros de gravidade variável. Dormi mal e tive algum frio durante a noite. Hoje deito-me cedo, palavra de honra que me deito cedo. E, ainda por cima, com a certeza de que a minha palavra de honra é aceite. Podia dizer “pela luzinha dos meus olhos” mas a expressão é popularucha, e pouco própria deste país habituado a pavonear-se nos salões. Pouco chique. É tudo uma questão de estilo. (JCampos)

 
MATEUS (1). Em frente ao Palácio, o lago devolvia-nos um esplendor antigo. Reconheci, da árvore altíssima, a breve sombra. Lá dentro, sala após sala, outras vozes para os mesmos rituais. Em trânsito, entre duas línguas vivas, a arquitectura mais frágil: poemas.

 
ASFALTO E CINZAS. A caminho de Vila Real, numa curva da A4, vejo meia dúzia de carros amolgados, engalfinhados, semi-destruídos, ambulâncias, manchas de sangue no alcatrão. Para lá da berma, um bosque ardido, árvores reduzidas a troncos negros, paisagem de cinza escura. Tivesse uma Polaroid à mão e faria, ali mesmo, um retrato de Portugal.

3.10.03
 
REPÚBLICA DAS BANANAS. Ao mesmo tempo que alguns, que por mérito próprio entraram na faculdade, lutam por um ensino superior público livre, gratuito e de qualidade, outros, mais felizes, por serem filhos dos governantes que defendem a política contra a qual os primeiros se insurgem, entram na faculdade pela porta do cavalo. Sim senhor, que belo país este. Proponho que o governo se assuma definitivamente como totalitário e omnipotente e simplesmente acabe com as leis. Ou, numa versão mais light, legisle e aprove regimes de excepção para a entrada directa no ensino superior a todos os familiares e amigos de membros dos partidos da maioria. Seria não só menos hipócrita, como igualmente o confirmar daquilo que toda a gente sabe há muito tempo: vivemos numa república das bananas. (Victor Hertizel, Dunhill King Size)

 
O PAÍS DA TRETA EXISTE E CHAMA-SE PORTUGAL. Soubemos hoje, através de uma notícia da SIC, que a filha do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros entrou ilegal e fraudulentamente para o curso de Medicina. Sabendo-se, como se sabe, que a inteligência se herda geneticamente, pergunto: será que a minha filha é, verdadeiramente, mais inteligente que a filha do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal? Será que, como dadores de cromossomas portadores de factores de inteligência, eu e a minha mulher somos dadores de maior quantidade de factores de inteligência aos nossos descendentes de que o senhor ministro e sua excelsa esposa? Tenho que admitir que sim: eu e a minha mulher somos, de facto, mais inteligentes que o senhor ministro Martins da Cruz e sua esposa. O que quer dizer que bem podia eu ser ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal que ao menos pouparia ao Governo a vergonha de ter um membro seu a fazer falcatruas para ter uma filha a estudar medicina. É que a minha filha entrou e está em Medicina porque cumpriu todos os requisitos exigidos para fazer esse curso. Enquanto que a filha do senhor ministro lá está porque VIVEMOS NUM PAÍS DA TRETA onde vale tudo e o crime compensa. [Nota: posta modificada por respeito aos leitores e ao País.] (Agnelo S. Monteiro, Salmoura)

 
MEGAFONE. Desde há algum tempo que temos vindo a abrir o nosso blogue a um novo tipo de colaboradores itálicos. São diferentes dos outros porque têm o seu próprio blogue, o que não os impede de gostarem de nos “ceder” alguns posts de vez em quando, para chegar a um público mais alargado. E nós ficamos muito satisfeitos quando o BdE serve também para isso. Para ampliar as palavras de outros, neste espaço que queremos cada vez mais aberto e interventivo. Não deixem, no entanto, de dar uma volta pelos blogues dos nossos colaboradores, o Salmoura, onde poderão encontrar judiciosas meditações sobre Caillebotte (um pintor muito cá de casa, como diz o outro) e o Dunhill King Size, que nos tem falado da luta anti-propinas e dos recentes acontecimentos no ISCTE.

 
É SÓ PROGRESSOS - PARTE II. O meu post no BdE sobre a nova ordem moral do Vaticano («É só progressos», 24.09.03) gerou, em alguns blogues, um corre-corre de comentários, insinuações e provocações. Cumpre-me, por isso, concluir em jeito de adenda ao post primeiro:

1. Antes de mais, e ao contrário do que se escreveu por aí, não sou jornalista. Nem pretendo exercer um qualquer «voyeurismo rançoso» ao debruçar-me sobre as «questões internas da Igreja» sendo, declaradamente, ateu. O que lancei foi uma chamada de atenção sobre essa perturbante «vida administrativa» de uma das organizações mais poderosas da nossa sociedade, tal como o fiz noutras ocasiões em relação à sharia islâmica. E tantos outros actos de fé que considero criminosos sobre os corpos e sobre as vidas.
Porque estas medidas repressivas que agora se discutem no Vaticano não se dirigem apenas aos católicos: impõem uma conduta de normalização social. Sustentam a visão de uma Igreja retrógrada para o século XXI, em Portugal, na Europa e no mundo. No que todos/as os não-católicos podem e devem ter uma palavra a dizer, principalmente numa altura em que se aborda a inclusão da matriz judaico-cristã no projecto de Constituição Europeia ou se revê, na Concordata, a promiscuidade entre o Estado português e Igreja católica.

2. Esta participação no debate é tanto mais lícita quanto a norma moral de Roma teima no finca-pé ao progressismo civilizacional em todos aqueles locais onde os púlpitos se transformaram em palcos políticos anacronizados no tempo: a menoridade da mulher contra a emancipação, o patriarcado contra o aborto, a ignorância contra os preservativos, a bíblia contra os homossexuais, a caridade contra a solidariedade. O monolitismo conservador da Igreja católica totaliza uma visão de sociedade profundamente atentatória da igualdade e da dignidade. E essa denúncia não se compactua com os concubinatos ou as conversas circulares «em família». Contra a hipocrisia, o combate das ideias decide-se cá fora.

3. A este propósito, um amigo enviou-me por e-mail a seguinte informação: «O interessante é que esta proposta é da Congregação para a Conservação da Fé (o nome é mais ou menos este). Isto é, a instituição que controla o Index de livros proibidos aos católicos. Isto é, formalmente a sucessora do Santo Ofício, vulgo Inquisição.» Curioso. Chegou a era dos novos autos-de-fé.

4. Timidamente, sem compreenderem a algazarra e os protestos em torno das novas directivas do Vaticano para as suas igrejas, alguns eclesiásticos vieram para as páginas dos jornais defender, singelos, que estas propostas «não trazem substancialmente nada de novo». Nisso, até posso concordar: algumas janelas não arejam há longo tempo. Mas imagino só o choque quando se aperceberem, realisticamente, que o Iluminismo já lhes leva um avanço de séculos.
(Tiago Barbosa Ribeiro)

2.10.03
 
A NORTE. Dentro de minutos, vou sair de Lisboa. Destino: Vila Real, Casa de Mateus, encontro de poetas (portugueses) que querem traduzir outros poetas (israelitas). Só estarei de volta no domingo − com a cabeça cheia de versos inventados noutra língua, para mim tão estranha. Até lá, o Manel tentará cumprir os serviços mínimos, com a ajuda dos itálicos do costume. Fiquem bem.

1.10.03
 
NOVE MESES. É o tempo de uma gestação. É o tempo que levamos aqui, neste útero imenso que é a blogosfera. Agora, vamos tentar nascer outra vez. Renascer. Fazer tudo de novo.

 
ENCONTRO. Depois de Braga, está já em preparação um novo encontro de blogues e de bloggers, desta vez em Lisboa e com um carácter mais informal. Todas as informações e novidades serão divulgadas aqui, durante o mês que hoje começa. Mas podem ir anotando nas agendas a data (30 de Outubro), o local (Sociedade de Geografia de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão), o tema («Blog, meio de comunicação de futuro ou moda efémera?») e o moderador dos debates (Carlos Vaz Marques). As inscrições estão abertas.



 
DIA MUNDIAL DA MÚSICA. Em vez da sempre enjoativa retórica das efemérides, sugiro silêncio, penumbra e um CD deslumbrante: «Nova Metamorfosi», música sacra milanesa do séc. XVII (fabordão tradicional e leituras de Monteverdi por Coppini e Ruffo), numa interpretação do conjunto Le Poème Harmonique, dirigido por Vincent Dumestre. É, claro está, mais um extraordinário disco da Alpha.

PS: Para informações mais detalhadas e uma crítica completa, ler o blogue do Crítico Musical (imprescindível para qualquer melómano que se preze).

 
PAREM LÁ COM OS LUGARES COMUNS. Só há uma coisa que me irrita mais do que ouvir os jornalistas políticos a falarem dos «notáveis do PSD». É ouvir os jornalistas desportivos a falarem da «equipa galáctica do Real Madrid».

30.9.03
 
HELICOPTERÍASE. Posso estar enganado, mas a recente obsessão nacional por helicópteros traz água no bico. Que alguém ligue ao dr. Freud, please.

 
MF. Conselho de amigo: leiam «Beau Séjour» (Assírio & Alvim), do crítico e poeta Manuel de Freitas. É, simplesmente, um dos mais belos livros que tive a felicidade de ler em 2003. Num dia menos escuro do que este, explicar-vos-ei o porquê da minha rendição ao que a obra conta e ilumina. Por agora, transcrevo apenas um poema (magnífico):


BAILE DE FINALISTAS

Não é uma história bonita, edificante,
essas coisas. Já conhecia a morte,
mas nunca lhe tinha tocado.
A Ribeira de Santarém, em 1988.
Posso contar? Convidou-me
para que a acompanhasse ao seu baile
de finalistas. Só muito a custo acedi,
de casaco e sorriso emprestados.

Na mesa mais discreta - depois
de muito vinho, alguns whiskies -
os dedos encaminhavam-se
para o centro exacto do pavor
e do desejo. Encontrava a morte,
debaixo daquele vestido azul
(desculpa, talvez não fosse azul).

Pensaria, se pensar me fosse possível,
que a lucidez só podia ser aquilo:
estar inteiro, feroz, consciente
onde dizem que se ganha o esquecimento,
por alguns segundos. Bebia cada vez mais,
sem saber como sentir o que não sentia.
O salão enchia-se e eu nem reparava,
a música, atroz, passava-me ao lado.
Seria certamente o último a reencontrar
o frio agora mais frio da noite,
o Tejo mesmo ali ao lado.

Ela despediu-se, nem sequer
para sempre ou até ao fim
ou qualquer outro dos títulos
do romancista português
que mais lia. E eu fiquei; aquele
inferno provinciano adequava-se
inesperadamente bem ao cheiro
inédito da morte. Bebi com
os que sobravam, na sala de bilhar.
Já não sei os nomes. Calava,
dentro de mim, um cântico final.

Dormi na estação. Talvez agora
não me ficasse grande o casaco preto,
mas deixou de me apetecer usá-lo.
Que será feito do teu corpo, do vestido
azul que quase rasguei, da morte
que gentilmente me trouxeste?



© Manuel de Freitas

 
CONGRESSO. Leio, com algum atraso, as notícias sobre o congresso do PP (cada vez mais Paulo Portas e cada vez menos Partido Popular). Não tenho paciência para as encenações pseudo-dramáticas e para as lições de retórica e demagogia - comuns, aliás, à quase totalidade dos congressos partidários - mas anoto alguns factos interessantes:

- Dos 1729 delegados inscritos, votaram apenas 666 (curioso número)
- Portas inventou uma palavra - «eurocalmo» - e agora não se cansa de a usar
- Portas diz que existe em Portugal um «MFA mediático» (gostava de saber onde)
- Pigmaleonicamente, Portas renovou o partido com jovens fiéis e escolhidos a dedo
- O principal convidado estrangeiro foi o italiano Gianfranco Fini, líder de um partido pós-fascista, que se destacou pela profética frase: «o futuro é a direita»

Se o futuro for a direita (pior: esta direita), o melhor é começar já a salvar o presente.

 
UMA QUESTÃO DE CULTURA. Amanhã, a Orquestra Sinfónica do Porto ia tocar num concerto comemorativo do dia Mundial da Música. Acontece que o sorteio da UEFA fez com que o F.C.P. defrontasse, também amanhã, a equipa do Real Madrid. Os 500 lugares do concerto estavam esgotados, presume-se que pela nata cultural da Invicta. Como resolver o dilema? Fácil, comemora-se o dia Mundial da Música na véspera. Já sabíamos que os deputados e os governantes não perdem uma partida do F.C.P.; ficamos agora a saber que o mesmo se passa com os melómanos. Deixo uma pergunta: será que vamos ficar privados de concertos e outros eventos culturais durante o Euro 2004? (Vítor Dinis Silva, aka Pai Itálico)

29.9.03
 
MAGNÍFICOS INTRUSOS. Há mais um blogue de grande qualidade a merecer visita diária: este. Confiro o nome dos oitos colaboradores permanentes e descubro pelo menos dois poetas - José Tolentino Mendonça e Mário Rui de Oliveira. Acho que não é preciso dizer mais nada.

 
TOP-10. Numa lista que ordena os blogues nacionais por grau de influência (pode ser consultada aqui, embora não compreendamos lá muito bem os critérios), o BdE aparece num honroso 6.º lugar, entre o Blogue dos Marretas (5.º) e a Bomba Inteligente (7.º). Não andamos na blogosfera para ganhar medalhas nem vivemos obcecados com o sitemeter, mas é óbvio que ficámos contentes com a inclusão no top-10. Obrigado a todos os nossos leitores e aos blogues que nos lincam.

 
TSF. Descubro as alterações à grelha da TSF e confirmo o que temia. O PREC (Processo de Rangelização Em Curso) avança a todo o gás. Do famoso "esquerdismo" não sobrará sequer uma sombra. E assim é que as coisas estão bem. Não é, Pedro?

 
O MURRO DE BERLIM. «Adeus, Lenine» é um excelente filme sobre a mentira e as ilusões que inventamos para sobreviver à realidade. Vejam-no, escrevam-nos, comentem-no. Havemos de trocar umas ideias sobre o assunto.

 
FREITAS DO AMARAL. De há uns tempos a esta parte, comecei a nutrir uma certa simpatia pelo Prof. Freitas do Amaral. A esta simpatia não é certamente estranha a notória aproximação à esquerda do velho Professor, com as suas posições anti-americanas ou preocupações sociais. O que leva um homem como Freitas do Amaral, fundador e presidente do CDS, a aproximar-se da esquerda? O percurso é normalmente o inverso. No entanto, nunca por um minuto duvidei da sinceridade do novo rumo político do Professor, ao contrário de algumas vozes que insinuaram a necessidade deste se aproximar da esquerda para ter hipóteses nas próximas presidenciais. Pensei que os anos na ONU o tivessem mudado, ao aperceber-se dos podres da política internacional. Pensei que a idade lhe tivesse dado sabedoria. Enfim, acreditei.
Domingo à tarde. No Teatro da Trindade assisto à encenação de «Viriato», a segunda peça escrita pelo Prof. Freitas. Os diálogos são maus, a história é vulgar e previsível, a performance dos actores é, na generalidade, sofrível. Ainda bem que não paguei a entrada (obrigado amiguinhas das montanhas). Mas o que interessa destacar são os últimos minutos da peça, onde se faz de Viriato exemplo e perpassam ideias nacionalistas que não envergonhariam o próprio bastião do fascismo nacional actual, o Dr. Paulo Portas.
Acredito sinceramente na aproximação à esquerda do Prof. Freitas, acredito mesmo, parece-me lógico nas circunstâncias actuais ser de esquerda. Mas, vejo agora claramente, é indiscutível que a direita continua no seu coração.
(Victor Hertizel)



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