BLOG DE ESQUERDA

POLÍTICA, CULTURA, IDEIAS, OPINIÕES, MANIFESTOS E ETC. (envie os seus contributos, dúvidas e sugestões para o blog_de_esquerda@hotmail.com)Este blog é mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva.

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17.8.03
 
TOPONÍMIA. No meu pequeno périplo pela região saloia, apercebi-me de umas quantas denominações toponímicas, digamos assim, peculiares. É o caso de uma aldeia chamada Fonte Boa dos Nabos e de uma outra que dá pelo nome de Arrebenta. Hipótese de trabalho: O Meu Pipi, antes de ter um blogue, não se limitou a fazer pouco da ingenuidade dos néscios. Aproveitou também para baptizar, com subreptícia malvadez, terrinhas que não mereciam carregar a cruz de um achincalhamento de cariz pornográfico. À conta disto, velho fauno insaciável, só espero que ardas no Inferno (ou seja, em qualquer coisa que se pareça com Lisboa, durante as últimas semanas).

 
ATENÇÃO: ISTO É MESMO VERDADE. Na Malveira, sobre a estrada, vi uma faixa promocional a anunciar um Rodéo (sic) com a presença de Marco Paulo. São insondáveis os abismos a que pode chegar a carreira de um cantor romântico...

 
LISBOA-ERICEIRA, ERICEIRA-LISBOA. À ida, no CD do carro: versões renascentistas das Lamentações de Jeremias (compositores: Tiburtio Massano, Robert White, Marbrianus de Orto e Roland de Lassus), na interpretação do Huelgas-Ensemble, dirigido por Paul Van Nevel. À vinda: as canções pop de tons melancólicos e a desbunda tex-mex (com mariachis e tudo) dos Calexico.
Confirmo uma evidência: músicas diferentes fazem-nos ver as mesmas coisas de outra maneira. Incluindo as linhas brancas no asfalto, as tabuletas azuis da auto-estrada, as nuvens no céu de verão, isso a que chamamos paisagem.

 
365 DIAS - PERCURSOS PARA VIVER MELHOR? Eu pensava que o Diário de Notícias era um jornal de referência, como agora se diz, para leitores portugueses. Comecei a duvidar ao ler a página da boa vida, as crónicas fúteis de verão no Algarve, as viagens milionárias no comboio do Oriente. E tive a certeza agora, com estes percursos para viver melhor. Viver melhor? Mas quem? Talvez uns quantos novos ricos, que ficam embeiçados com os quartos, salas e piscinas, meio telenovela meio Hollywood, pirosas, de plástico, iguais em todo o mundo. Isto porque, a ver pelos preços, não são certamente para os trabalhadores portugueses. São mesmo uma afronta. Eu, por mim, prefiro o Guide du Routard, uma publicação francesa dedicada a reunir informações, nos diferentes países, sobre os sítios mais importantes a ver, hotéis, restaurantes, monumentos, bares, etc. Para o Guide, a relação preço/qualidade é o mais importante, dentro das coisas mais típicas, simples, populares. Reflecte uma procura exaustiva das coisas baratas mas boas, que só os conhecedores experimentados desses países conhecem. Lá podemos encontrar aquela tasquinha de bairro, que serve bem e em conta, mas que está escondida. Para os hotéis e tudo o resto, é a mesma coisa. É outra filosofia para viver melhor, junto à população e à realidade dos países. É o anti-«365 dias» mais o seu turismo de plástico. (Vítor Dinis Silva, aka Pai Itálico)

 
IMUNIDADE. Às vezes, o melhor anti-vírus informático é o atraso tecnológico. Vejam o exemplo da última provocação dos hackers a Bill Gates, baptizada com um nome digno daqueles filmes de Ficção Científica manhosos: W32BLASTER.WORM. Pelo que leio, alguns bloggers passaram dias a extirpar a "coisa maligna", qual Paulo Portas às mãos de Mário Soares. A minha sorte, sei-o agora, esteve no facto do vírus só atacar sistemas operativos recentes (como o Windows 2000 e o Windows XP), deixando intactas relíquias com o calibre do "meu" Windows 98. Ser obsoleto, afinal, também tem as suas vantagens.

16.8.03
 
INCONSCIÊNCIA. Na Europa estão a surgir, em vários países, problemas com a produção de electricidade. Por um lado, o consumo disparou. Por outro, as Centrais, térmicas ou nucleares, não podem funcionar em pleno porque a água que retiram dos rios, para o arrefecimento, já está muito quente e vai sair com temperaturas acima do que a lei permite. É evidente que este aquecimento dos rios vai matar os peixes e alterar o equilíbrio ecológico. Na França e Alemanha, os governos já autorizaram o aumento da temperatura da água de saída das centrais, com protestos dos ecologistas, e fizeram grandes campanhas nos media para que as pessoas economizem energia. Por cá, a única informação disponível foi a de que as ventoinhas esgotaram e a instalação dos ares condicionados se tornou impossível, dada a lista de espera. Como não ouvi nenhuma sensibilização para se poupar electricidade, por parte dos responsáveis, deduzo que as nossas albufeiras estão cheias e os nossos rios conservam temperaturas normais! Não podendo importar energia e não a poupando, esperemos que Portugal não fique ainda mais escuro com um apagão total. (Vítor Dinis Silva, aka Pai Itálico)

 
BACK TO KYOTO. Depois desta vaga de calor na Europa (certamente a primeira de muitas) e dos incêndios que devastaram vários países e dos milhares de mortos provocados pela canícula e da ruptura do sistema de saúde em França e talvez mesmo do apagão nos EUA, talvez fosse bom começarmos a pensar que nem tudo o que os ambientalistas gritam aos ventos são cantigas politicamente correctas. Talvez fosse bom começar a fazer qualquer coisa de concreto. Obrigar os americanos a respeitarem o protocolo de Quioto, por exemplo.

 
BE...QUÊ? Hoje à tarde, os adeptos do Manchester United vibraram com a estreia de Cristiano Ronaldo em Old Trafford e dedicaram-lhe cânticos, quase em êxtase por assistirem in loco às primeiras fintas do novo craque. Posso estar enganado, mas parece-me que daqui a uns meses já ninguém se vai lembrar daquele gajo de penteado esquisito que envergava a camisola n.º 7, antes de chegar o puto-maravilha português. Era David qualquer coisa, não era?

 
EXPLICAÇÃO SUMÁRIA DAS DIFICULDADES QUE O SPORTING SENTIU PARA VENCER A ACADÉMICA NO PRIMEIRO JOGO DA SUPERLIGA. Fábio Rochembach é muitíssimo bom. O resto da equipa (ainda) não.

 
TOP-5. Não é nada oficial, nem objectiva. Mas a lista dos blogues que mais me enchem as medidas, por estes dias, é esta:

1- A Natureza do Mal (um caso de amor à primeira leitura)
2- Desejo Casar (extraordinária soma de vozes, um coro heterogéneo mas afinadíssimo)
3- Aviz (o blogger dos bloggers, mestre da palavra certa e do equilíbrio)
4- umblogsobrekleist (o melhor português escrito na blogosfera)
5- amostra de arquitectura (um belo conceito)

 
IMPROMPTU. De repente alguém começa a tocar clarinete na minha rua. Alguém que ensaia partituras barrocas numa casa próxima, com a janela aberta. Notas a voarem para o céu, sobre os automóveis e os candeeiros e os pombos e as pessoas que param, espantadas com as súbitas melodias. Sim, há um clarinete escondido algures na minha rua, só com a música de fora. E a felicidade, de repente, até parece possível.

 
NOSTALGIA. Hoje bebi um Capri-Sonne pela pequena palha colorida que vinha − e continua a vir − colada na parte de trás do pacote. Duas décadas depois, o sabor do sumo continua o mesmo: enjoativo, aguado, artificial. Mas também doce e magnífico. Porquê? Porque é o sabor dos meus 11 anos.

 
CAMPANHA. Ao passar no Centro Sul, em Almada, vi de soslaio um cartaz da JSD com quatro velocímetros. No primeiro estava marcado 50 Km/h, no segundo 90 Km/h, no terceiro 120 Km/h e no quarto, pintalgado de sangue, 200 Km/h. Dentro do meu Clio, que não ultrapassa os 150 Km/h, percebi porque nunca fui nem serei do PSD. (Vítor Dinis Silva, aka Pai Itálico)

15.8.03
 
O EXEMPLO QUE (NÃO) VEM DE CIMA. Alcino Monteiro, presidente da Associação Portuguesa de Escolas de Condução, foi apanhado a circular em excesso de velocidade no centro de Leiria. Se bem se recordam, trata-se do mesmo cidadão que foi autuado, em Setembro de 2002, por conduzir a 224 kms/h numa auto-estrada. Ou seja, quem está à frente do organismo que zela pela formação dos futuros condutores deste país − todos eles potenciais vítimas (ou carrascos) do apocalipse rodoviário − é um homem que ignora o código da estrada e que se tem revelado um incumpridor relapso. Depois admirem-se.

 
SAPADORES. A Nova Democracia, além de resolver com argúcia a questão do hino, decidiu convidar a Associação Nacional de Bombeiros para o seu congresso inaugural. Bem visto. É sempre preciso alguém experiente para apagar os fogos. Mesmo quando os fogos não passam de fogachos.

 
UMA ANDORINHA VOAVA, VOAVA... Com uma coerência ideológica assinalável, os dirigentes da Nova Democracia convidaram, para escrever o hino do partido, um nome incontornável da música pop sexualmente alternativa e de direita, esse ícone pós-moderno, essa cantora de intervenção reaça: a grande, a eterna, a experimentada Dina (deixem-me ir ali vomitar e já volto). Quanto às letras, ficarão a cargo, como não podia deixar de ser, da maravilhosa estilista do nosso idioma que é Rosa Lobato Faria (o Guronsan, por favor, passem-me o Guronsan).
Já pararam de rir? Então parem, vá lá, que isto até faz sentido. Ou não sabem que Manuel Monteiro, guloso incorrigível, adora salada de frutas?

 
REVOLTANTE. Deixava o Algarve com destino a Lisboa, quando o calor me empurrou para a Marina de Vilamoura, a refrescar-me antes do ataque ao tórrido Alentejo. Acabei por não apanhar fresco, devido aos engarrafamentos, mas pude ver os sinais exteriores de riqueza de alguns cidadãos do nosso país. Pensei mesmo que se os funcionários do fisco fossem lá analisar o trinómio "topo de gama" - casa secundária, iate, automóvel -, por certo as estatísticas das empresas que dão permanentemente prejuízo diminuiam. Além disso, seria uma preciosa ajuda para a discussão, aqui no blog, acerca do RMG ou dos subsídios aos criadores e à cultura. Depois, pensando melhor, cheguei à conclusão de que não era possivel. Que diabo, os funcionários do fisco em Agosto devem estar de férias. E os que foram obrigados a ficar, esses, devem estar enfiados nas obscuras repartições, a indagar se os cidadãos cumpridores não tentaram meter, à socapa, a compra de uma pasta de dentes nas despesas de saúde. (Vítor Dinis Silva, aka Pai Itálico)

 
MUDANÇAS. Andava pelo sotavento algarvio quando ouvi, na RDP Antena 2, uma entrevista com o dinâmico director do Festival Internacional de Música de Ayamonte. Mas Ayamonte era a terra onde se ia comprar caramelos, anis e bugigangas, pensei eu. Curioso, atravessei a ponte e jantei numa esplanada na parte velha da cidade, cheia de gente e alegria, mas nada turística. Por volta das dez horas, subi então à Parroquia de Nuestro Señor y Salvador, uma bonita igreja do séc. XV, sóbria, muito bem cuidada. O concerto era composto por uma peça de Alessandro Scarlatti, La Grazia, la Colpa e il Pentimento, escrita por volta de 1708. Foram duas horas de perfeição, paz e beleza que felizmente estavam a ser gravadas, ali mesmo, para a Harmonia Mundi. Aturdido e maravilhado, ainda desci ao centro, para beber uma água num café que tinha uma interessante exposição de pintura, antes de regressar à pasmaceira da margem direita do Guadiana. (Vítor Dinis Silva, aka Pai Itálico)

 
DIA DE S. FOGUETE. Hoje o dia está mais fresco, os incêndios acalmaram, a memória do inferno não está tão viva. Além disso, é feriado, 15 de Agosto, dia do emigrante. Por esse país fora, preparam-se centenas e centenas de procissões, festas populares, romarias. Não vale a pena esconder o sol com uma peneira. Esqueçam os falsos moralismos. Todos sabemos o que vai acontecer. Quem nunca pecou que atire o primeiro foguete.

 
RAIO X. Recebo umas radiografias que fiz há algum tempo e aparentemente está tudo bem. Ufff. Leio o relatório. Releio o relatório. Tento compreender a linguagem impenetrável dos médicos. Não consigo. Dizem-me, por exemplo, que tenho o «tórax simétrico, bem proporcionado, com boa excursão inspiratória das hemicúpulas diafragmáticas». Eu não sabia que tinha hemicúpulas diafragmáticas (será que devia saber?). Respiro fundo. Não as sinto, mas agora não ignoro que elas estão lá (e, pelos vistos, de boa saúde). Respiro fundo outra vez. Continuo a não sentir as hemicúpulas. Para ser sincero, nem imagino sequer a sua forma, o seu tamanho, a sua função. Elas existem algures no meu tórax e funcionam. Isso é que interessa. Penso noutra coisa. Arrumo as radiografias. Sigo em frente.

 
NÓS JÁ SUSPEITÁVAMOS. Um grupo de investigadores da Universidade de Maryland, nos EUA, concluiu recentemente que o conservadorismo é uma "doença psicológica", provocada por uma série de "neuroses" ligadas "ao medo, à agressão, ao dogmatismo e à intolerância de ambiguidades". Eu não sei muito bem o que é a "intolerância de ambiguidades" mas concordo com a parte do medo e do dogmatismo.
Aproveitando a oportunidade, gostava ainda de pedir à Bayer, ou a outro qualquer gigante farmacêutico, que desenvolva uns comprimidos eficazes contra esta terrível maleita e que envie, o mais depressa possível, amostras generosas para as moradas de alguns bloggers nossos amigos. Como este, mais este e dois terços destes. Não se esqueçam: é a saúde mental da blogosfera portuguesa que está em causa.

14.8.03
 
POEMA ESCRITO MUITO ANTES DO QUE VEJO AGORA À MINHA VOLTA. Eu já não me lembro das circunstâncias exactas. Um dia vi a imagem de uma árvore que ardia, algures num recanto da minha memória. Tentei cercar essa imagem de palavras (não há, para mim, arte poética que não seja isso: um cerco, uma armadilha, uma gaiola ávida de pássaros). E os nove versos alinharam-se, quase para além da minha vontade. Aqui estão, de novo, involuntariamente assustadores.


REVELAÇÃO

Olhamos o cipreste que arde,
o cipreste que se deixa arder
como se houvesse uma espécie
de intimidade entre os ramos e o fogo.
Nós vemos (mas será que vemos?)
a fronteira de cinza, as marcas
da combustão. Vemos a evidência
cruel, feita de labaredas e fumo:
o incêndio é sempre um pacto.

 
FESTA NO LARZAC. Entretanto, as mobilizações continuam. Neste fim de semana, 200 mil pessoas reuniram-se num gigantesco festival no mítico planalto do Larzac, onde se realizaram as primeiras manifestações por uma agricultura diferente, lá nos idos de 70. Muita música, muitos debates, e uma intuição confirmada: o movimento alter-globalização está mais cada vez mais forte, decidido e organizado. A OMC que se prepare, que a cimeira de Cancun não vai ser pêra doce.

 
RESPOSTA AOS COMENTÁRIOS IRACUNDOS. Sabendo do ódio que a direita reserva a Bové, não ficámos propriamente surpreendidos com a chuva de comentários violentos que provocámos. O Zé Mário deu o troco aos mais delirantes; outros nem mereciam resposta. De qualquer forma não parecia que estivessem ali recolhidas as condições para iniciar um debate interessante. Mas acusaram-nos, lá mais para o fim, de não conseguirmos responder às questões que nos lançaram. Assim sendo, e apesar do atraso, aqui fica o nosso direito (e dever) de resposta:

1- O Rui Oliveira diz que «a França se tornou numa rebaldaria» e lembra que o «De Gaulle disse, uma vez, que o Brasil não era um país a sério». Segundo ele, «actualmente, é a França que não é um país a sério, nem sequer um país sério. Bové é mais um palhaço no meio de imensos palhaços». Imaginamos que o Rui Oliveira é daqueles que faz greve ao Roquefort, aos vinhos de Bordéus e ao croissant. Está no seu direito, mesmo se não sabe o que perde. Quanto ao De Gaulle, o conhecido general tinha tendência a achar que tudo era uma rebaldaria (há tiques de general que se perdem com dificuldade...), a começar pelo Maio de 68, pelo que aqui no BdE não o consideramos propriamente uma referência em matéria de qualificar balbúrdias. Quanto ao estado actual da França, vale a pena lembrar que neste momento ela é governada pela direita (e uma direita bem a sério!) e que com a polícia do Sr. Sarkozy não se brinca (o Bové que o diga, aliás). Será que ninguém se lembra que a França é o país europeu com o maior número de «agentes da ordem»? Eu nem quero imaginar o que o Rui Oliveira considera um “país a sério”, mas se ele não fica satisfeito com as recentes medidas securitárias do Sarkozy, talvez ache que isto só lá vai com o Le Pen.

2- Mas o Rui Oliveira diz mais. Diz ainda que os agricultores franceses são «os mais subsidiados do mundo». Aqui, alto e pára o baile! Isso já não é matéria de opinião, mas de factos. E, ao contrário do que pensa o Rui Oliveira (e certamente muito boa gente), os agricultores mais subsidiados do mundo não são os franceses, mas os americanos. Pois é. Nos States os agricultores recebem em média a módica quantia de 16 mil dólares de ajuda à produção, ou seja, apenas mais do triplo do que recebem os agricultores europeus em subsídios. O novo Farm Bill de 2002, aliás, vem reforçar esses apoios, em total contradição com o que os próprios EUA impuseram na reunião da OMC em Doha, tornando estruturais certos subsídios que eram até agora excepcionais (para uma descrição detalhada das ajudas aos agricultores americanos ver aqui).

3- Por outro lado, o 605 Forte diz, no seu comentário, que a «liberalização das trocas comerciais internacionais» é o que «pretendem os governos dos países sub-desenvolvidos e em vias de desenvolvimento». Acrescentando que a «abolição das barreiras comerciais [é] uma das coisas que os camponeses do mundo não desenvolvido pretendem, para colocar os seus produtos nos mercados onde há dinheiro para os comprar». Esta análise fia mais fino, e exige uma resposta maior. Ora vamos lá por partes:

a) Antes de mais, «governos dos países sub-desenvolvidos» e «camponeses do mundo não desenvolvido» não são expressões equivalentes. Uma coisa é o que querem os camponeses do terceiro mundo, outra é o que querem ou podem os governos que os representam (e que na maioria dos casos nem isso fazem). Os governos dos países em vias de desenvolvimento, ou têm grupos de pressão que apoiam a liberalização, ou estão atados de pés e mãos pelo FMI e pelo Banco Mundial. As reuniões da OMC, aliás, têm como princípio geral a decisão por consenso e, a haver votações, elas são feitos de braço no ar, o que torna difícil, pelas relações de poder subjacentes, qualquer oposição à hegemonia americana. A sinceridade, como é sabido, não é o forte da política internacional.

b) Os «camponeses do mundo não desenvolvido» vivem, por uma grande parte, da agricultura de subsistência. A esses não interessa colocar produtos no mercado internacional, que a produção que têm não chega para tanto. O que eles cultivam vendem no mercado local. A liberalização das trocas vai desorganizar as políticas de preços, desregrando os já fragilizados mercados locais. Ou seja, com o fim das medidas proteccionistas e de controlo dos preços, um pequeno produtor de arroz na Índia, que apenas tem uns dois ou três hectares de terreno, não poderá assegurar, com a venda do que produz, o necessário para a sua subsistência. Muito simplesmente porque os preços dos mercados internacionais vão descer devido à pressão das agriculturas subvencionadas e excedentárias da Europa e América, diminuindo o lucro dos pequenos agricultores. Perdendo o poder de compra (já de si limitado), os pequenos produtores serão assim forçados a abandonar a actividade agrícola, que se torna deficitária, e a vender as suas terras. Sobra como solução procurar trabalho como assalariado agrícola ou partir para as grandes cidades.

c) O resultado da política da OMC será portanto a continuação de êxodos rurais massivos, com uma ainda maior acumulação das populações que desertaram a miséria dos campos nos arredores dos grandes centros urbanos. Ou seja, a intensificação da "favelização" do terceiro mundo, em curso há décadas. Será mesmo isso o que querem os «camponeses do mundo não desenvolvido»?

d) A manutenção de uma agricultura de subsistência é, além do mais, fundamental para evitar situações de penúria alimentar. A destruição da pequena agricultura terá como consequência o aumento da fome em certos países (ou pelo menos a sua manutenção em níveis que já são actualmente imorais). Salvar as pequenas explorações agrícolas é mesmo uma prioridade de todas as políticas propostas contra a fome (ver o plano da FAO aqui). Sem produção local, as populações ficam à mercê das variações do mercado e, em situações de crise, sem acesso possível à alimentação. Foi o que aconteceu por exemplo na Argentina, em que milhares de camponeses foram vítimas de fome, morando ao lado de campos de alta produtividade, controlados por grandes latifundiários.

e) É claro que a situação não chega a incomodar os latifundiários, que até se vão safar melhor, sobretudo aproveitando as possibilidades de aumento da agricultura extensiva (devido às terras libertadas pelo êxodo rural e à mão-de-obra constituída pelos novos sem-terra). Esses, de qualquer forma, já estão habituados a colocar os seus produtos no mercado internacional, e serão portanto os únicos no terceiro mundo a beneficiar de políticas de liberalização.

f) O ponto anterior explica o porquê do status quo actual. Não é de estranhar que encontremos os grandes latifundiários nos tais grupos de pressão, objectivamente aliados às grandes multinacionais alimentares e sementeiras, que determinam o apoio de muitos países em desenvolvimento às medidas de liberalização do mercado. Ou não fossem a maior parte desses países controlados por blocos oligárquicos. Será verdade que muitos desses governos apoiam a actual tendência da OMC. Quanto aos «camponeses do mundo não desenvolvido», esses duvido muito.

4- Outro comentador, o Miguel, interroga-se sobre o que faríamos se a nossa própria propriedade «fosse destruída por alguém que invocava um motivo "superior"». O Miguel deve ter pensado que nos estendia uma ratoeira bem esgalhada. Mas que ele se desengane. A resposta é simples e declina-se em dois pontos:

a) Desde há muito que o capitalismo não hesita em “destruir” propriedades, direitos e vidas por todo o mundo. Na sociedade em que vivemos, a “destruição”, a verdadeira, não está do lado de Bové. Está na exploração, na miséria e na guerra que o capitalismo perpetua em nome do «motivo superior» do liberalismo económico. E essa «destruição» tem beneficiado da maior impunidade. É ela que nos ameaça a todos e é contra ela que queremos fazer qualquer coisa.

b) Mas imaginemos que estalava um processo de democratização radical nas nossas sociedades. Uma Revolução a sério, para construir um mundo mais justo, solidário e fraterno. Aí, caro Miguel, pode ter a certeza que não pensaríamos em termos de «propriedade». E não seríamos nem os primeiros, nem os últimos.

5- Deixámos para o fim o comentário de CCA, que nos acusa de darmos as boas vindas ao José Bové na «língua do inimigo». Nós sabemos que o comentário é irónico, mas aproveitamos para esclarecer duma vez por todas a questão: a língua e a cultura inglesas (e anglo-saxónica em geral) são-nos bastante caras. Shakespeare, Purcell ou Turner (para só citar três exemplos) fazem parte do nosso universo poético mais íntimo. Uma coisa é ter consciência do imperialismo linguístico inglês e da indústria cultural americana, e dos perigos de alienação e desertificação cultural que esse movimento implica. Outra coisa é privarmo-nos de poder saudar quem quisermos na língua de Woodsworth e de Crane. Mesmo quando o ambiente se presta a falsos antagonismos culturais. Basta lembrar a confusão que se tornou tão banal entre cultura e política francesa durante o desvario anti-gaulês que atacou a direita mais belicosa durante a Guerra no Iraque (houve algumas excepções, como o Pedro Mexia), e que tem alguns efeitos simétricos na esquerda. No BdE nunca caímos, nem vamos cair, em deslocadas e estéreis diabolizações dessa ordem.

 
O PAPÃO. Pelos vistos, o José Bové incomoda mesmo muita gente. Sobretudo os liberais mais exaltados da nossa praça. Mas ao reler os comentários ao post em que nos declarámos satisfeitos pela sua libertação, fiquei confundido. É que até parece que há quem pense que o homem é mesmo um monstro, responsável por crimes hediondos. Como os factos não permitem fantasmas direitistas deste calibre, vamos lá esclarecer duas ou três coisas:

1- O grande crime pelo qual José Bové foi preso consistiu na destruição de um campo de milho, onde se realizavam experiências de produção de OGM a céu aberto. Ora vários estudos já provaram que é impossível evitar a propagação de sementes de OGM aos campos que se encontram em torno de experiências deste tipo. Sabendo que a moratória da União Europeia proíbe o cultivo de OGM e que as consequências da sua propagação (e sobretudo do seu consumo) não são conhecidas, o princípio de precaução não deveria permitir este tipo de experiências a céu aberto. A acção da Confédération Paysanne foi portanto uma atitude de resistência e de legítima defesa.

2- O organismo que supervisionava a experiência (o Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement - CIRAD) é um centro de investigação de administração mista (pública e privada). Os prejuízos foram avultados, é certo, mas apenas porque retardaram os estudos de dois investigadores, que iniciaram uma experiência não isenta de riscos. Diga-se de passagem que a área de actividade dos investigadores e da parte do CIRAD implicada (a biotecnologia), é largamente rentável.

3- Conheço bastante bem um investigador que trabalha no CIRAD. Quando lhe perguntei o que se dizia na empresa sobre o «caso Bové», confidenciou-me que muita gente, apesar de achar a acção um pouco extrema, não deixava de lhe dar uma certa razão. Se são as «vítimas» que o dizem...

13.8.03
 
OS DESVARIOS DE VGM. Nós sabemos muito bem que o Vasco Graça Moura, quando não está a escrever sonetos ou a traduzir Petrarca, tem uma certa tendência para a arrogância desabrida, para a tacanhez trauliteira, para o moralismo serôdio e para uma adjectivação «farfalhuda». Tirem-lhe o decassílabo e só sai asneira. Dêem-lhe uma crónica e terão sucessivos tratados de perfídia e má-fé. Não espanta por isso a violência do texto que publicou hoje no Diário de Notícias.
Com o costumeiro fel das quartas-feiras, VGM destila toda a raiva que foi acumulando em relação às gerações que tiveram o azar de chegar depois da sua, essa iluminada estirpe de génios sofredores que paira, ainda hoje, acima da piolheira em que o país se transformou às mãos dos bárbaros. E quem são os bárbaros? Nem mais nem menos do que «as pessoas que tinham dez anos em 1974» e atravessam hoje uma ambígua «meia-idade». Incultos, além de semi-analfabetos (por culpa do permissivo sistema de ensino pós-25 de Abril), eles «cresceram na balda, a assistirem à balda e a viverem da balda». No fundo, é a eles e só a eles, vis criaturas subjugadas pela preguiça e pelo vício, que cabe a responsabilidade pelas tragédias que vêm fustigando a nossa desditosa pátria: dos «loucos homicidas que andam por aí ao volante nas estradas» aos tenebrosos reality shows, passando «pelos que ateiam incêndios por descaso, pelos que fogem ao fisco, pelos que preferem viver do subsídio de desemprego a viver do contrato de trabalho, pelos que, ao irem de férias, abandonam animais ou mesmo familiares idosos ou doentes...»
Uma desgraça completa. Para VGM, os infelizes que atingem agora os 40 anos (a tal «meia-idade») não prestam para nada e os que vierem depois ainda hão-de ser piores. De facto, já ninguém sabe dividir as orações dos «Lusíadas», já ninguém respeita a autoridade como um dogma, já ninguém recorda o doce ardor da pele depois de uma reguada desferida a preceito. Talvez por isso, os sub-40 são uma corja inútil, um «drama nacional», a verdadeira raiz do nosso atraso económico, o prenúncio de um apocalipse.
E quem nos pode salvar? Cá para mim, só mesmo as gerações mais velhas (com VGM à cabeça, claro). Gerações que continuam a ser, como toda a gente sabe, um modelo de lucidez e perfeição civilizacional.

 
QUARENTA GRAUS CELSIUS. Caro Deus: eu sei que tu sabes que eu não acredito em ti. Mas se me queres castigar, escolhe por favor um suplício menos abrangente.

 
MAGRO CONSOLO. O lado bom de viver em Lisboa é pensar: «Vá lá, pelo menos não estou na Amareleja».

 
CANÍCULA. Definição de canícula - é quando um acontecimento banal (avaria do ar condicionado) ganha foros de tragédia clássica, em três actos, com coro e tudo.

12.8.03
 
ERRO DE PARALAXE. Na montra de uma livraria, vejo um livro de Paula Bobone e espanto-me com o título: «Socialismo». O que terá essa eminente figura do jet-set lusitano, rasca e armada aos cucos, a dizer sobre as regras de conduta dos grandes pensadores políticos da esquerda? Criticará Rosa Luxemburgo por causa do dedo mindinho espetado ao pegar na chícara de café? Colocará objecções à escolha dos hors d’oevre na festarola chez Trotsky? Ou teremos antes remoques ao camarada Lenine e à sua tendência para servir água em copos de vinho? Estava quase a pedir um exemplar, para ver se aprendia as regras da etiqueta numa sociedade sem classes, quando me dei conta do meu clamoroso erro, fruto de um traiçoeiro golpe de vista. Ao título que eu lera faltavam duas letras. Não era «Socialismo», era «Socialíssimo». E as duas letras faziam, claro está, toda a diferença.

 
VENHA O DIABO E ESCOLHA. As eleições para o cargo de Governador, na Califórnia, prometem ser muito animadas. Até porque, se o musculoso Arnold parte na dianteira, quer nas sondagens quer em termos de cobertura mediática (a sua candidatura foi notícia em todo o mundo e o actor já passou pelo show de Jay Leno), há outras figuras curiosas na corrida. Como por exemplo:

Larry Flint - Criador da revista «Hustler» e um dos reis da indústria pornográfica americana. Propõe-se combater o deficit do orçamento com a expanção do jogo legal (se tiver sucesso, talvez seja convidado para consultor da ministra Ferreira Leite)

Mary Carey - Grande rival de Flint, proveniente da mesma área ideológica, mas com mais argumentos. A actriz porno, de 22 anos, avança com duas medidas brilhantes: um programa para reduzir a violência (através da troca de armas de fogo por filmes de sexo) e a proposta de taxação dos implantes de silicone.

Leonard Padilla - Cadastrado, com experiência de vida prisional, diz conhecer a fundo (e por dentro) questões-chave como o tráfico de droga e os problemas da imigração.

Michael Jackson - Engenheiro electrotécnico, de 39 anos, nunca fez nada de especial na vida. Mas, com um nome destes, acha que vale a pena tentar a sorte.

Leo Gallagher - Actor de 13.ª linha, compensa a mediocridade profissional com o arrojo das suas ideias. Entre outras medidas originais, defende o uso de helicópteros militares para retirarem, das auto-estradas, os automóveis envolvidos em acidentes e ameaça prender qualquer pessoa que abuse dos decibéis nas conversas por telemóvel, em espaços públicos.


Por mim, votava na menina Mary Carey. Parece-me a mais convicta. E, provavelmente, a mais honesta. Além de que a taxação do silicone, só em Los Angeles, deve dar para resolver não apenas o deficit orçamental como até - nunca se sabe - o problema da fome no mundo.

 
DIA DE FECHO. Todas as semanas, eu “fecho” um suplemento. Todas as semanas, eu espero que o suplemento não “feche”. Chamem-lhe um paradoxo, se quiserem.

 
CRISTIANO RONALDO. Primeiro foi o Quaresma. Agora, o puto madeirense. O Sporting vai perdendo os seus “miúdos-maravilha”, os seus génios em potência. E eu fico triste, claro. Gostava das fintas deles, dos golos fabulosos, dos prematuros sonhos de glória. Só que tenho, ao mesmo tempo, a lucidez de me lembrar que o Figo, quando trocou Lisboa por Barcelona, já era muitíssimo bom, mas ainda não era o que é hoje. Ainda não era “o” Figo. Da mesma forma, Quaresma ainda não é o que pode vir a ser. Cristiano Ronaldo também não. No Barcelona e no Manchester, acredito que se agigantem. Desejo-lhes boa sorte. E estou cá para ver.

 
O IMPERADOR INSANO. Um grupo de arqueólogos diz ter encontrado provas de que o imperador Calígula era, na realidade, um “alienado”, um “doido varrido”. Grande novidade, sim senhor. Como se a velha história de ter nomeado um cavalo para cônsul não chegasse...

 
DECADÊNCIA. Lembram-se dos Scorpions, aquela banda alemã foleiríssima, com um vocalista de boina que se esganiçava todo a cantar «Still Loving You»? Pois bem, os Scorpions, esse terror da nossa adolescência, preparam-se para dar um concerto, amanhã, na Marina de Albufeira. Sim, sim, é mesmo isso: na Marina de Albufeira. Uma vez posta em marcha, a decadência é uma máquina imparável.

 
SMS. Uma alma caridosa ensinou-me (ó santa ignorância a minha) os segredos da "escrita inteligente" de mensagens no telemóvel. Foi uma revelação, uma luz, uma estrada de Damasco. Converti-me logo: aleluia, aleluia. E lá acedi, em êxtase, à verdade superior.
(perdoem-me, amigos, o vocabulário religioso. É que é sempre um milagre descobrir a simplicidade do que parecia complexo, a evidência do que se perfilava como mistério intangível.)
Resumindo: aprendi em três tempos as regras da "escrita inteligente" que o vetusto Nokia me permite. Agora só falta ter coisas inteligentes para escrever...

11.8.03
 
11 DE AGOSTO. Se estivesse vivo, o meu avô Mário faria hoje 85 anos. Ao contrário do outro Mário (Cesariny), ele gostava de festas e de mesas cheias de comida e de ter os netos à volta e também do bolo coberto de velas trémulas.
Imagino agora o seu rosto satisfeito e a voz com que expressava esse contentamento. «Esplêndido», dizia ele. E dizer «esplêndido» era dizer que estava tudo certo, estava tudo nos seus lugares, era dizer que o cosmos da sua vida tinha ordem e simetria.
Hoje não houve bolos, nem mesas fartas. Há sete anos que não há. E de repente fiquei assim, sem mais palavras, dentro desta tristeza parada.

 
PETIÇÃO. Do blogger Ginger Ale, recebemos a seguinte mensagem de correio electrónico:

«Saiu no passado Sábado, na revista Única do Expresso, um artigo de Luísa
Schmidt a alertar para a degradação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano
e Costa Vicentina. Em resumo, fala-se de áreas que se pretendem desanexar da
reserva natural (para promoção imobiliária e turismo), da inexistência de
políticas destinadas às populações residentes em zonas protegidas e da
incúria do Estado.
Por tudo isto corre na Net uma petição ao ministro do Ambiente para recordar ao Estado os direitos dos cidadãos.
Seria bom que em vez de chorar sobre leite derramado (tal como na vaga de
incêndios), ou escrever blogues sobre o assunto, a sociedade civil agisse a
tempo e horas e fizesse valer a sua posição.
Não queremos outro Algarve. Ou queremos????
Saudações Bloguistas,
Ginger Ale

PS: Ao fazer fw do link da petição, não se alcança a felicidade eterna, mas
pelo menos teremos a consciência de que estamos a contribuir para tentar
melhorar Portugal. Outra ideia será um link para a petição e/ou um post
sobre o assunto no blog. Em vez de reagir, os blogs tb podem (devem) agir!»

Caro Ginger Ale,
O link e o post já cá moram. Como deves imaginar, nós preferimos a acção à reacção (e, sobretudo, preferimos os agitadores aos reaccionários).

 
GLÓRIA FÁCIL. Que a Maria José Oliveira é uma das melhores e mais activas jornalistas do Público (ainda hoje publicou uma excelente crónica sobre os incêndios, «A memória não se perde», infelizmente não disponível on-line) já nós sabíamos. Que foi ela a assinar, no seu jornal, a peça mais equilibrada até agora escrita sobre a blogosfera, era uma evidência. E que haveria, mais tarde ou mais cedo, de vir aqui parar, uma certeza. Agora, essa certeza confirmou-se. Com um camarada de redacção (João Pedro Henriques) e um jornalista da concorrência (Nuno Simas, do DN), fundou o blogue Glória Fácil. A coisa promete. Experimentem.

 
MONSTRO DAS BOLACHAS A PRESIDENTE. José Manuel Fernandes elogia hoje a trapalhada californiana que mistura plebiscito com eleições. JMF acredita que, tal como Bush, Schwarzenegger pode ser uma agradável surpresa. Ainda o vamos ver a defender o Pokémon para primeiro-ministro do Japão. Por mim, não vacilo: para director do «Público», Calvin já! (Daniel Oliveira)



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